domingo, 25 de janeiro de 2015

MEMÓRIA CURTA

Lena Gino

E aí a gente vai largando as chaves, o celular, o papelzinho com o telefone do marceneiro... E  nunca sabe ondei deixou. 
Onde foi mesmo que eu larguei a caneta?
Hum, eu conheço aquele cara não sei de onde...
Como é mesmo o nome dele?

Você é assim também?

Memória fraca, né?
Será que é a idade que vai chegando...
Ou será sabedoria?

Eu gosto de deletar certas coisas da mente.
Se a gente descarta alguns pensamentos, é porque eles não são importantes mesmo. 

Outro dia, eu esbarrei numa pessoa no shopping.
Olhei, olhei e senti que aquele rosto era familiar.
Cumprimentei educadamente, mas não parei para conversar.
Acredito que o meu sorriso foi o suficiente para disfarçar o esquecimento. 

Horas depois, em casa, bingo!!
Lembrei de onde eu conhecia aquele cara. 
Foi alguém do passado que me magoou.
A gente brigou e nunca mais se viu. 

Senti um alívio danado por não ter lembrado da mágoa naquela hora. 

E descobri que memória curta não é coisa da idade, não...
É sabedoria mesmo.
Esquecer um ressentimento é coisa de gente grande. 
Gente de bem com a vida. 
Gente que não se ocupa de remoer mágoas. 

Essa coisa de lembrar só o que é importante e feliz é a tal memória seletiva. 
Coisa que todo mundo deveria fazer. 

O mesmo com os olhos e ouvidos...
Ouça e veja só o que faz bem pra alma. 

Sabedoria pra mim é isso:
Ficar esquecido de episódios tristes. 
Surdos de ruídos nocivos. 
Cego de visões distorcidas...

Enquanto a memória falha, eu vou ficando melhor como pessoa...
E lembrando só do que vale a pena.
Do que é necessário. Só o essencial. 

Confesso que esqueci onde larguei a chave do carro...

Mas eu lembrei de uma coisa ótima:
Não tenho a menor ideia do que me aborreceu ontem...

Porque hoje eu tô muito feliz!



Nenhum comentário:

Postar um comentário